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Tratar animais com cancro?

Tratar animais com cancro?

Após o diagnóstico de neoplasia num animal o proprietário vê-se perante a difícil situação de decidir o passo seguinte: tratamento ou eutanásia. Infelizmente sabe-se hoje  que se recorre excessivamente à eutanásia nos casos de animais com cancro. Isto deve-se a vários fatores:

As palavras cancro e quimioterapia despertam vários medos nos proprietários (muitos deles infundados como veremos à frente) sendo a eutanásia encarada como forma de aliviar o sofrimento do animal e a ansiedade do proprietário.
Muitos veterinários encaram o diagnóstico de uma neoplasia como etapa final do processo clínico. De facto até há alguns anos atrás as opções de tratamento eram reduzidas, mas hoje tal já não é verdade sendo obrigação do veterinário discutir todas as opções de tratamento com o proprietário.

 

Custos do tratamento

De facto alguns tratamentos possuem custos que podem ser elevados. No entanto, como os tratamentos se prolongam no tempo isto permite fasear os pagamentos do referido tratamento. A maior parte dos centros veterinários também tem disponíveis facilidades de pagamento de forma a que nenhum animal deixe de ser tratado por limitações financeiras.

Indisponibilidade de tempo para os tratamentos

Alguns tratamentos exigem visitas semanais ao Hospital. Para contornar esse problema disponibilizamos atendimento 24h o que permite aos proprietários entregar e levantar o animal em horários de conveniência.

 

Perguntas mais comuns realizadas pelos proprietários com animais com doença oncológica:

1. O cancro pode ser curado?

Algumas formas de cancro ‘locais’ podem ser curadas através de cirurgia como por exemplo alguns tumores mamários  e alguns sarcomas.


2. A quimioterapia está indicada para todos as neoplasias?

Não. Ela pode ser usada como forma de tratamento único em algumas neoplasias disseminadas (linfoma, leucemias, mastocitomas, mielomas) ou como tratamento adjuvante para retardar o aparecimento de doença após a cirurgia (hemangiossarcoma, osteossarcoma,…).

 

3. Com que periodicidade é administrada a quimioterapia?

Depende do protocolo. Para os Linfomas a frequência é semanal. Para outras neoplasias os tratamentos exigem visitas ao hospital cada 3 semanas.

 

4. Como funciona uma sessão de tratamento?

O cliente trás o animal pela manhã para um exame físico e hemograma (análise ao sangue). Se estes se revelarem normais o animal é hospitalizado e o proprietário regressa a casa. De seguida é colocado um cateter endovenoso e administrado o fármaco. Todo o processo não demora mais de 40 minutos e no final é enviado um sms ao proprietário para vir levantar o seu animal.   Este apenas leva um pequeno penso no local do cateter. No Hospital Veterinário do Porto são fornecidas instruções escritas ao proprietário e o nº de telemóvel do médico responsável para que o proprietário possa esclarecer qualquer dúvida em casa.

 

5. Quais os efeitos secundários mais comuns?

Os protocolos de quimioterapia em medicina veterinária são menos intensivos que em medicina humana pelo que o nosso objectivo não é atingir curas mas sim prolongar o tempo de vida com uma qualidade normal. Assim, os efeitos secundários são muito menos comuns nos animais. Os mais frequentes são os vómitos e diarreia. A queda de pêlo é extremamente rara. O efeito secundário mais preocupante é a septicemia (infecção generalizada) resultante da diminuição das defesas do organismo causada pelos fármacos usadas. Felizmente é rara. Na maior parte das vezes imperceptível aos olhos de um amigo ou familiar que um determinado animal esteja a realizar sessões de quimioterapia.

 

6. Continuo com dúvidas… Como decidir?

A decisão de avançar com um tratamento de quimioterapia  é feita a dois: veterinário e proprietário. É importante para o médico sentir que o cliente está empenhado e não vai desistir na primeira contrariedade. O que se revela bastante frustrante para os dois. Assim, de forma ajudar a decidir aconselhamos alguns passos:

Substituir as palavras “quimioterapia” e “cancro” por “tratamento” e “doença crónica” e analisar objectivamente a situação. Ex: animal com “doença crónica” cujo “tratamento” envolve visitas semanais durante 19 semanas e cujo custo aproximado do tratamento é X. A esperança média de vida é de 12meses e durante o tratamento o animal vive uma vida normal. Este pequeno exercício permite-nos tomar decisões objectivas não influenciadas por palavras com conotações negativas como “cancro”e “quimioterapia”. Assim se explica que muitos proprietários aceitem tratar doenças cardíacas, renais,… Com prognósticos muito piores que algumas formas de cancro e recusem tratamentos de quimioterapia.

Avaliar a resposta ao primeiro tratamento, particularmente nos Linfomas, existe normalmente uma resposta muito positiva alguns dias após o primeiro tratamento.  O grau desta resposta permite-nos também aferir a probabilidade de sucesso de tratamento: animais com respostas muito positivas e sem grandes efeitos secundários no primeiro tratamento têm uma probabilidade muito maior de responder a longo prazo ao tratamento e uma probabilidade menor de evidenciar efeitos secundários constituindo bons candidatos a continuar o tratamento.