Cuidar

Prevenção do cancro mamário

Prevenção do cancro mamário

O que é o Cancro da Mama?

O Cancro ou Tumor Mamário consiste numa transformação neoplásica do tecido mamário. Este tumor pode ser benigno ou maligno, distinguindo-se principalmente pelo grau de metastização, ou seja, a capacidade de o tumor enviar células tumorais para outros pontos do organismo através da circulação sanguínea e linfática, e pela capacidade de invasão, isto é, a facilidade de o tumor alastrar localmente. Neste sentido, o tumor é tanto mais maligno e agressivo quanto maior for a sua capacidade de metastização e invasão.

 

Quais os grupos de risco?

Os tumores mamários podem aparecer em qualquer raça canina ou felina.

A faixa etária mais afetada é a de 10-12 anos.

Verifica-se uma maior incidência do Cancro da Mama nas fêmeas não esterilizadas ou nas que tiveram vários cios antes da esterilização; nas que desenvolvem pseudogestações (falsas gravidezes) frequentes e nas que estão sujeitas a tratamentos hormonais supressores do cio, ou seja, anticoncetivos.

As glândulas mamárias possuem recetores sensíveis às alterações hormonais produzidas durante o cio (estrogénios e progesterona) e a ligação destas hormonas a esses recetores favorece o desenvolvimento dos tumores, daí que seja maior a sua frequência nas fêmeas não esterilizadas.

Embora seja mais raro, os machos também podem desenvolver Cancro da Mama.

 

Quais os tipos de tumores mamários?

Existem dois grandes grupos: Malignos ou Benignos, sendo que dentro destes, existem vários subtipos. Através de análises laboratoriais que estudam microscopicamente a natureza das células, as chamadas análises histopatológicas, diferencia-se o tipo de tumor.

Nas cadelas os tumores mamários malignos representam cerca de 50% dos tumores de mama, nas gatas os tumores malignos representam quase 100% dos tumores.

Os tumores mamários malignos têm várias escalas de agressividade e os que são invasivos têm tendência a metastizar com rapidez para os gânglios linfáticos e daí para os pulmões, órgãos abdominais (principalmente o fígado) e ossos.

Os Tumores Mamários Benignos podem aparecer em 50% nas cadelas, nas gatas são pouco frequentes.

Como a diferenciação entre benigno e maligno apenas se pode efetuar pela análise histopatológica, a remoção cirúrgica é sempre recomendada.

 

Quais os sinais clínicos desta doença?

Os sintomas manifestados irão depender do tipo de tumor, do seu estado de evolução e da possível presença de metástases noutros órgãos. O sinal mais evidente, ao avaliar-se fisicamente o animal, é a existência de nódulos ou massas nas mamas, de tamanhos variáveis (desde pequenas granulações a grandes massas) e com aderência variável à parede abdominal. Estes nódulos podem estar limitados a uma ou mais mamas e normalmente são indolores. Os tumores mamários, sobretudo os malignos, tendem a crescer e a originar grandes massas que podem ulcerar, isto é, abrir feridas que sangram e não cicatrizam, e infetar.

O impacto no estado geral do animal irá depender da presença de infeção no tumor e da existência e extensão das metástases. Geralmente, tumores benignos com pouca ou nenhuma metastização não causam qualquer tipo de sintomas a nível geral. No que diz respeito aos tumores malignos infetados e ulcerados, esses poderão provocar febre, dor e outros sinais relacionados com a infeção e morte.

No processo de metastização, as células tumorais alastram-se, instalando-se noutros órgãos, afetando assim a sua função normal. Quanto maior for o grau de metastização num órgão, maior será a sua disfunção.

Se a metastização afetar, por exemplo, os pulmões (metastização pulmonar), podem verificar-se sintomas como: dificuldades respiratórias, tosse, cansaço, anemias, etc. Se a metastização for hepática, manifestam-se sintomas como: dilatação abdominal, diarreias, vómitos, entre outros. Como último exemplo, se for uma metastização óssea (comum na coluna vertebral), podem detetar-se sintomas como: paralisias e sintomas neurológicos.

 

Como é realizado o diagnóstico?

Geralmente, este tipo de tumor é detetado durante um exame clínico de rotina, daí ser tão importante a prevenção e o rastreio desta doença. Pois quanto mais cedo for detetado o nódulo e quando menor o seu tamanho, melhor o prognostico.

De forma a classificar-se o tipo de tumor, é essencial recorrer às análises histopatológicas que definirão se se trata de um tumor maligno ou benigno. Essas análises consistirão no envio de uma amostra, obtida cirurgicamente, para um laboratório referenciado que estudará e classificará o tipo de tumor.

A par desta, outros meios de diagnóstico complementar poderão ser necessárias para avaliar o restante estado do animal, tais como: análises sanguíneas, raio x torácico, ecografias e outros métodos que o médico veterinário considere necessários.

 

Existe tratamento?

As possibilidades de tratamento e o seu sucesso dependerão do tipo de tumor, do seu estado de evolução e do grau de metastização e invasão. Eis alguns exemplos de tratamento mais usuais:

- Mastectomia radical: extração cirúrgica de todas as mamas da cadeia mamária, sendo a cirurgia de eleição para a maioria dos casos de Cancro da Mama.

- Mastectomia parcial: extração cirúrgica de parte da cadeia mamária, sendo uma técnica adequada em animais com tumores benignos.

O prognóstico irá depender, sobretudo, do tamanho do nódulo, tipo de tumor retirado e da presença, ou não de metástases. Por isso, é essencial a classificação histopatológica do tumor de forma a prever o seu comportamento e escolher o método de acompanhamento médico mais adequado.

Infelizmente, quando já existem metástases no resto do organismo do animal, a cirurgia por si só não constitui a cura, podendo-se recorrer a protocolos de quimioterapia adequados. Sendo, nestes casos a cura menos comum.

 

Como prevenir?

A esterilização precoce (Ovariohisterectomia) é, sem dúvida, o principal método de prevenção do aparecimento do Cancro da Mama, pois confere uma proteção e diminuição da incidência de tumores mamários.

Está provado que se esterilizar as gatas antes dos 6 meses de idade a redução do risco é de cerca de 91%, caso sejam esterilizadas antes de 1 ano de idade, a redução é de cerca de 86%.

 

Portanto, fazendo a esterilização precoce, ajuda a prevenir o aparecimento de tumores de mama em gatas e cadelas que não tenham interesse reprodutivo.

Visitar o médico veterinário regularmente, assim como analisar o animal em casa frequentemente, através da palpação das cadeias mamárias, é essencial para se estar alerta face a qualquer sinal que possa surgir no animal.