Projeto OneVet Group (2013)

Projeto OneVet Group (2013)

1 de abril de 2013

O OneVet Group conta, até à data, com 13 unidades de medicina veterinária no país. Entre hospitais e clínicas, a empresa de capital de risco Inter-Risco investiu na aquisição de estruturas do setor, em finais de 2011, e num futuro próximo aponta para um total de 50 unidades. Rui Lousa, administrador do OneVet Group, traça a personalidade deste projeto único em Portugal.

 

O OneVet Group tem na sua génese uma empresa de capital de risco que decidiu investir no setor da medicina. Primeiro no campo da medicina dentária e, mais recentemente, no da medicina veterinária. Quando é que esta última começou a integrar os vossos planos?

A Inter-Risco começou a análise do mercado da medicina veterinária no inicio de 2011, tendo tomado uma decisão definitiva de investimento no último trimestre do mesmo ano.

 

Qual o estudo de mercado que permitiu concluir que a medicina veterinária se tratava de uma área de interesse?

As decisões de investimento da Inter-Risco baseiam-se em estudos de mercado realizados pela sua própria equipa. Estudos que partem da análise de informação pública do setor, mas assentam sobretudo no contacto direto com todos os stakeholders do setor, procurando validar quais os principais drivers do mercado e de que forma o investimento pode acrescentar valor. No caso do mercado de medicina veterinária, a elevada fragmentação, inexistência de grupos a operarem a nivel nacional, a ausência de ferramentas profissionais de gestão e a dificuldade do seu corpo clinico em encontrar um equilíbrio entre a pratica clínica, a necessidade de formação contínua, a gestão dos seus negócios e a sua vida pessoal levaram a Inter-Risco a achar viável uma entrada no setor.


A vossa abordagem não é a de criar nenhuma estrutura hospitalar, mas adquirir estruturas já existentes. O que é que o OneVet Group se compromete a oferecer para que esse negócio seja atraente a quem é proprietário?

A entrada do Grupo OneVet neste setor tem como principal objetivo a criação de valor para o mercado. Acreditamos que essa criação de valor também se faz através das equipas que constituem as unidades que adquirimos. Um dos pressupostos para que a negociação tenha sucesso e a manutenção das referidas equipas, pelo que os proprietários que decidam integrar o grupo acabam por não só receber o preço da sua venda, mas também ganham a oportunidade de se dedicarem em exclusivo à medicina veterinária. Para os padrões de qualidade que pretendemos atingir essa dedicação é muito importante, bem como as oportunidades de formação interna e externa que daí decorrem. 
Assim, os referidos proprietários além de verem o esforço e dedicação de anos devidamente recompensados poderão dedicar-se áquilo que realmente gostam de fazer - Medicina Veterinária.

 

À data quantas instituições já adquiriram e qual o critério que tem presidido a essas aquisições?

Neste momento o Grupo conta com 13 unidades. O Hospital Veterinario do Porto, o Grupo de Institutos Veterinários na Grande Lisboa, com três clínicas, o Grupo Hospital Veterinário do Baixo Vouga, com um hospital e três clinicas, e finalmente o Grupo Clínicas Veterinárias Dr. Almeida Santos, com cinco clínicas. O critério para as aquisições está intimamente ligado à estratégia definida para o projeto, isto é, a aquisição de unidades hospitalares âncora nos grandes centros urbanos e a criação de uma rede de clínicas de proximidade que preste um serviço mais conveniente para os clientes e também funcione como unidades referenciadoras para as âncoras do projeto.

 

Ao adquirir estas instituições qual o projeto, ou a filosofia, que põem em pratica? O que se mantém e o que será alterado?

A integração das unidades adquiridas é sempre um processo complexo, onde muitas vezes a rapidez não vai ao encontro da eficácia. Porque se trata de um setor onde a importância das pessoas é preponderante, a forma como se integram os recursos humanos é sempre prioritária, com a comunicação adequada e atendendo às diversas formas de gestão que vamos encontrando, cada caso é um caso. Uma das principais características do projeto é a manutenção da equipa clinica. Numa primeira fase é prioritária a centralização de toda a parte administrativa, financeira, gestão de pessoal e compras. Outra área crítica são os sistemas de informação, os quais estão neste momento a ser uniformizados. O nosso objetivo é ter o mesmo software de gestão em todas as unidades do grupo até final do primeiro semestre. Por outro lado toda a parte de comunicação e imagem também é trabalhada para que haja uma maior identificação com a simbologia e imagem de Grupo. Por último, a área clínica é aquela onde as transformações vão sendo realizadas de forma mais gradual, procurando o Grupo incorporar as melhores práticas que vamos encontrando nas unidades que adquirimos, para que no futuro se possa trabalhar com protocolos OneVet a nivel nacional.

 

Quais os planos a curto/ médio prazo?

No curto prazo, os nossos planos passam por integrar de uma forma eficiente e eficaz as unidades já adquiridas, reforçando cada vez mais a imagem do Grupo. Ao mesmo tempo continuamos ativos na procura de novas oportunidades que possam trazer valor para o Grupo e para os proprietários que decidam integrar o projeto. Assim, num futuro próximo esperamos contar com um número de unidades perto das 50, um volume de negócios entre os 25 e os 30 milhões de euros, 38 milhões de euros em ativos e uma equipa de excelentes profissionais a rondar as 350 pessoas.

 

Texto: Raquel Louga Silva, Veterinária Actual

Fotos: Ricardo Meireles, Veterinária Actual