Cuidar

Leishmaniose

Leishmaniose

Durante o mês de Dezembro de 2012 e Janeiro de 2013, em apenas numa das nossas unidades, diagnosticamos 15 novos casos de Leishmaniose. Alertamos os donos de cães para a vacinação adequada de todos os seus animais de estimação. A vacina protege o animal, já que as coleiras ou pipetas não têm a capacidade de o proteger contra esta doença. A vacina contra a Leishmaniose, tem uma eficácia entre 80% e 90% de protecção e, como induzem uma forte resposta imunitária, podem servir até como tratamento da doença.

A Leishmaniose Canina é provocada por um parasita que se denomina Leishmania, que tem o seu ciclo biológico em dois hospedeiros: Um insecto (flebótomo) (Fig 1) que serve como vector e um vertebrado (canídeo) que serve como reservatório da doença.

Ciclo:

1-Só a fêmea do mosquito é que pica e adquire os amastigotas. (É mais ativa ao fim da tarde);
2-Multiplicam-se no intestino do mosquito promastigotas;
3-Pela picadura do mosquito passam ao cão;
4-Multiplicação ativa dentro dos macrófagos do cão infetado;
5-Distribuição a órgãos hematopoiéticos, especialmente a medula óssea. Migram: pele, fígado, rim, aparelho digestivo, coração, articulações, próstata, todos os órgãos; (Esta disseminação é diferente para cada animal).

Nem todos os animais infetados desenvolvem a doença
Existem cães que são sensíveis à infeção por Leishmania e outros cães são resistentes devido a:

1- Imunidade mediada celular: através dos linfócitos T, do subtipo Th 1 que produzem Interferon Gamma e outras citoquinas. O Interferon Gamma induz a síntese de um enzima nos macrófagos que cataliza a formação de uma substância de efeito leishmanicida;

2- Imunidade humoral: os anticorpos não são protetores e são pouco eficazes quando o parasita se encontra dentro dos macrófagos.

Em animais sensíveis não se produz resposta imunitária => infeção de pele disseminação por todo o organismo.
Existem diferenças genéticas da resposta imunológica e animais e raças com diferentes capacidades de resposta frente a Leishmaniose.

Quadro Clínico da doença

  • 6 meses a 12 anos;
  • Não há predisposição de sexo;
  • 62% são cães de raças grandes;
  • Quadro clínico amplo e variado;
  • Evolução lenta e progressiva;
  • Doença crónica.
  • Aumento de gânglios linfáticos
  • Anorexia
  • Depressão
  • Seborreia seca
  • Perda de peso
  • Febre
  • Pioderma
  • Coxeira/artrite e sinovite
  • Diarreia
  • Vómitos
  • Epistáxis
  • Esplenomegalia
  • Poliúria/polidipsia
  • Uveítes
  • Derrame Pericárdico
  • Arritmias com insuficiência cardíaca
  • Insuficiência hepática

Nem todos os casos apresentam este conjunto de sintomas o que torna o diagnóstico difícil.

Os sinais clínicos podem demorar meses ou anos a aparecer.

A Leishmaniose pode provocar perda de peso, atrofia muscular, palidez de mucosas, aumento dos gânglios linfáticos, e sangramento nasal. As lesões de pele são frequentes, os animais apresentam pêlo sem brilho, zonas sem pêlo e descamação. Podem aparecer úlceras na zona do focinho e outros locais da superfície corporal. Podem até aparecer lesões oculares, sintomas digestivos e neurológicos. É frequente observar-se anemia, aumento das gamaglobulinas e perda de proteínas pela urina.

Quando esta doença afeta os rins, os valores de ureia e creatinina aumentam e ficam muito alterados.

Lesões Cutâneas
São frequentes, não pruriticas, nem dolorosas
43% dos casos / diagnóstico
Alopécia e seborreia seca, orelhas, zona periocular, extremidades e dorso.

Dermatites ulcerativas no prepúcio, boca, pontos de pressão.
Nódulos com aspeto tumoral na pele ou mucosas 3,4%

Rim
No momento do diagnóstico, 34% dos cães apresentam insuficiência renal, 18% doença glomerular sem insuficiência renal, glomerulonefrite membranosa: formação de imunocomplexos circulantes que se depositam na parede dos vasos do glomérulo dando origem a falha renal e proteinúria: o seu valor indica-nos o grau de lesão do rim.

Diagnóstico

Observação direta de amastigotas do parasita dentro ou fora dos macrófagos: medula óssea, gânglio linfático, pele, líquido sinovial ou qualquer outro tecido ou líquido.

Punção de Medula óssea: diagnóstico 90,7 %
Gânglio: diagnóstico 83%
Citologia aspirativa: nódulos da pele, articulações, baço e fígado, por aposição em mucosas e pele.
Biópsia de pele: Imunoperoxidase.
Serologia: Podem ajudar, mas só nos indicam a presença de anticorpos, mas não necessariamente a presença da doença.
% elevada de títulos positivos desenvolvem sinais clínicos.
Teste serológico negativo: doença pode estar presente.
PCR: demonstração do DNA de Leishmania na medula óssea ou outros tecidos: o mais sensível e específico.

Análises Clínicas:

Anemia não regenerativa 45%
Hiperglobulinemia 100%
Insuficiência renal:
Uremia
Hipercreatinemia
Proteinuria
Síndrome nefrótico:
Hipoalbuminemia
Proteinuria
Hipercolesterolemia
Ratio Proteina-Creatinina

Tratamento

Carácter crónico;
Difícil cura;
Resposta variável de cada animal;
Apesar do tratamento: recaídas e/ou reinfeções;
Tratamentos e controles periódicos;
Zoonose.

Animais com envolvimento cutâneo

Glucantime 60-100 mg/kg via sc dividida em duas injeções diárias até cura clínica

Alopurinol 20mg/kg via oral repartido duas vezes ao dia, de forma contínua e sem interrupções (no mínimo um ano)
Controle de proteínas totais e Proteinograma de 6 em 6 meses

Animais com Proteinúria (aumento de proteínas na urina):
Alopurinol 20mg/kg via oral repartido duas vezes ao dia.
Dieta Específica rim

Animais com Insuficiência Renal
Alopurinol 10mg/kg
Dieta Específica rim

NÃO SE ESQUEÇA A VACINAÇÃO CONTRA A LEISHMANIOSE É MUITO IMPORTANTE.