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Furões - Doença aleutiana

Furões - Doença aleutiana

A doença aleutiana (DA), é uma doença infecciosa causada por um parvovírus. Foi inicialmente descoberta em martas e pensa-se que foi transmitida, secundariamente, a furões. No entanto, as duas estirpes estão descritas como estirpes independentes.

Subsistem ainda muitas dúvidas em relação a esta patologia, à sua transmissão e à sua prevalência na população de furões de companhia (não só no nosso país, mas também nos EUA, onde a população de furões é consideravelmente mais elevada).

Como quase todas as doenças víricas não existe um tratamento definitivo, por isso importa haver informação e conhecimento da sintomatologia e transmissão para prevenir o seu aparecimento.

A principal particularidade desta patologia, reside no facto da gravidade do quadro clínico estar directamente relacionado com a capacidade de resposta imunitária do animal.

A DA surge em furões, mais frequentemente entre os 2 e os 4 anos de idade; pode ocorrer sob a forma assintomática (sem manifestar sinais de doença) durante anos, até apresentarem sintomatologia.

Os sinais clínicos observados variam com a virulência do vírus e a susceptibilidade do animal – alguns furões podem sucumbir sem chegar a apresentar quaisquer alterações, mas a maioria dos animais manifesta sintomatologia e esta está associada à patogenia.

O vírus da doença aleutiana afecta o sistema imunitário (entre outros sistemas), causando uma produção muito elevada de anticorpos, nomeadamente das gamaglobulinas, condição denominada de hipergamaglobulinémia. Os anticorpos do furão e os antigénios do vírus ligam-se, formando complexos antigénio-anticorpo.

Estes complexos podem deslocar-se na corrente sanguínea e depositar-se em diferentes locais do organismo: a nível hepático (fígado e ductos biliares), rins, vasos sanguíneos, etc...

As alterações observadas estão relacionadas com os órgãos afectados; podem aparecer alterações do foro neurológico (perda de equilíbrio, tremores, convulsões), sanguíneo (anemia), digestivo (vómitos, diarreia, sangue nas fezes), renal, entre outros. O diagnóstico definitivo é difícil de alcançar in vivo.

Alterações como a hipergamaglobulinémia, associada a outras alterações sanguíneas e bioquímicas, e aos sinais clínicos assima descritos, são fortes indicadores da DA.

Existem alguns testes serológicos para detecção de anticorpos contra o vírus. A transmissão pode ocorrer via aerógena (por aerossóis), por contacto directo com urina, fezes, saliva ou sangue e ainda por contacto indirecto, através de objectos contaminados.

Existe um risco acrescido com furões portadores (animais que albergam o vírus, mas que não manifestam sinais clínicos de doença); sabe-se muito pouco sobre a possibilidade de excreção de vírus nestes animais, por isso todos os seropositivos (animais que têm anticorpos contra o vírus da DA), são considerados passíveis de transmitir a doença.

Como cuidados básicos, o isolamento dos animais seropositivos e a higiene e desinfecção dos locais onde habitam, é indispensável.

Não existe nenhum tratamento eficaz contra esta doença. Para aqueles animais que se encontram clinicamente doentes, deve-se proceder a um tratamento de suporte, aliado normalmente a um tratamento anti-inflamatório e/ou imunodepressor.