Error loading MacroEngine script (file: PageHeader.cshtml)

Organização social no cão

Organização social no cão

O cão é um mamífero social, vivendo num grupo hierarquizado. Ele organiza a vida de grupo estabelecendo regras, as quais definem o lugar e os privilégios de cada indivíduo na matilha. Uma vez feita essa distribuição, as lutas e tensões no seio do grupo tornam-se quase inexistentes. A hierarquia permite definir os limites de cada um e tranquilizar os membros do grupo.

A matilha é formada por um grupo de animais que reage, a maior parte das vezes, uniformemente, nas deslocações, momentos de descanso e procura de comida. Normalmente, os membros de uma matilha de canídeos selvagens participam na caça e na defesa de um território comum.

Nos lobos, a alcateia é geralmente hierarquizada, ocupando cada animal um lugar definido. As comunicações entre membros são possíveis principalmente graças a mímicas e rituais permitindo a cada um conhecer a sua posição hierárquica em relação aos outros.

A hierarquia, no cão organiza-se à volta de 3 pontos:

  • O acesso à comida;
  • O controlo do espaço e domínio do território;
  • Expressão da sexualidade controlando os contactos com os outros membros do grupo.

Contrariamente ao que se pode pensar, um cão dominante não é agressivo e só muito raramente exibe comportamentos agressivos para com os seus subordinados pois ele não tem dúvidas sobre a sua posição hierárquica e sobre os seus privilégios.

Cães que ocupam a posição mais baixa da hierarquia (cães ómega), mostram-se, geralmente, também pouco agressivos pois não seria prudente para eles provocarem animais superiores na cadeia hierárquica. São essencialmente os indivíduos com posição intermédia que podem exibir posturas de ameaça.

Esta hierarquização não se limita às relações estabelecidas entre eles; cada vez que entram em contacto com outro animal, e até mesmo com humanos, é prioritário para eles determinar “quem domina quem” .

Os problemas de comunicação:

O cão está constantemente a observar os humanos; ele está, na realidade, muito mais atento às pessoas que o rodeiam do que estas a ele. Ora, se admitirmos que, numa interacção, todo o comportamento tem valor de mensagem, ou seja, é uma comunicação, não podemos deixar de comunicar quer queiramos, quer não.

 Actividades ou inactividades, palavras ou silêncio, tudo tem valor de mensagem. Os problemas de comunicação ocorrem, em grande parte, quando os donos ignoram os “códigos” caninos.

O cão que partilha a vida familiar é considerado mais ou menos como um ser humano. O Homem antropomorfiza o seu animal, atribuindo-lhe compreensão da linguagem e tendo tendência para privilegiar esse canal de comunicação com ele. Ainda que o animal seja capaz de distinguir uma dezena de palavras, mostra-se muito mais sensível ao tom de voz e ao contexto na qual elas são emitidas.

Caso haja contradição, o cão vai privilegiar o canal “não verbal”, o que é bastante lógico, pois é principalmente por este meio que ele comunica com seus congéneres.

Os comportamentos nos cães dependem, em média, de 20% da hereditariedade e de 80% das aprendizagens. A genética tem uma influência determinante no comportamento da espécie, quando é considerada na sua totalidade.

O cão é carnívoro e, como tal, exibe determinados comportamentos específicos. No entanto, em patologia comportamental, o estudo genético tem muito pouco interesse.

O grande debate mediático actual, sobre a existência de “boas ou más” raças caninas reactualiza um pouco esse estudo.

O temperamento dum cão depende essencialmente das condições nas quais ele foi criado e da educação efectuada pelos donos. O comportamento do cão não resulta exclusivamente da leitura estrita de um programa genético.

Em vez disso, constrói-se a partir de todas as influências exteriores e individuais exercidas durante toda a sua vida.