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Obesidade

Obesidade

O maneio do peso é um factor importante no sucesso de qualquer plano de fisioterapia em cães e gatos com problemas músculo-esqueléticos ou neurológicos. O excesso de peso contribui para o desenvolvimento de doenças ortopédicas e neurológicas, além de induzir uma força excessiva nas articulações e ligamentos, agravando problemas já existentes.

Os animais alvo destes programas são não só os pacientes obesos, nos quais é essencial diminuir o peso corporal, como também os cães e gatos com peso normal mas com mobilidade reduzida. Estes poderão aumentar de peso por inactividade, devendo ser integrados num programa de manutenção de peso.

Factores que afectam as necessidades energéticas:

Idade – as necessidades de energia diminuem com a idade, devendo ser fornecidas rações menos calóricas a animais geriátricos.
Actividade – as necessidades energéticas diminuem em animais com menor actividade (por imobilidade natural ou restrição de exercício), devendo ser fornecida menor quantidade de ração.
Castração – as necessidades energéticas mantêm-se iguais após a castração. No entanto as alterações hormonais promovem um aumento do apetite, pelo que deverá racionar a alimentação e evitar deixá-la sempre à disposição.
Raça – certas raças de cães têm uma predisposição para a obesidade como os Cocker Spaniels, Labradores, Beagles, Golden Retriever, Basset Hound e Terriers.
Sexo – as fêmeas estão mais predispostas a desenvolver um peso excessivo.
- Temperamento – animais mais activos têm necessidades energéticas superiores àqueles com um temperamento mais calmo. 
Condições Ambientais – animais com acesso frequente a jardim/terraço (que habitem em moradia) realizam uma maior actividade física do que aqueles que habitam em apartamento (mobilidade mais reduzida), tendo por isso maiores necessidades energéticas.
Clima – animais que habitem em ambientes mais frios necessitam de um maior aporte energético pois usam essa energia para produzir calor.
Doenças – o hipotiroidismo (mais comum em cães) diminui as necessidades energéticas pois há uma diminuição do metabolismo celular (por défice das hormonas tiroideias). Pelo contrário, o hipertiroidismo (mais frequente em gatos) aumenta as necessidades energéticas pois há um excesso de metabolismo celular. Qualquer doença responsável por uma menor mobilidade, origina uma diminuição dos requerimentos energéticos pois o metabolismo basal é também diminuto.
Medicamentos.
Desta forma, facilmente se percebe que as necessidades diárias de energia variam muito, mesmo entre animais saudáveis. O tipo e a quantidade diária de ração devem ser sempre ajustados de acordo com o animal em questão.

Animais com excesso de peso

A condição corporal divide-se em 5 escalões:

Caquético

- Visualização clara das costelas, vértebras e ossos da bacia
- Ausência de gordura corporal
- Diminuição da massa muscular

Magro

- Costelas visíveis e facilmente palpáveis
- Ossos da bacia proeminentes
- Cintura proeminente
- Pequena quantidade de gordura corporal
- Ausência de atrofia muscular

Normal 

- Costelas facilmente palpáveis mas não visíveis
- Cintura claramente visível
- Ligeira acumulação de gordura sob o tórax

Moderadamente obeso

- Costelas dificilmente palpáveis devido à presença de gordura subcutânea
- Acumulações de gordura nas zonas lombares e base da cauda
- Cintura praticamente ausente

Obeso

- Costelas não palpáveis
- Presença de gordura subcutânea em grande quantidade
- Grandes acumulações de gordura nas zonas lombares e base da cauda
- Cintura ausente e por vezes com acumulações de gordura originando uma forma de pêra (vista superior do animal).

Consequências da obesidade

- Doenças cardiovasculares (insuficiência cardíaca, hipertensão)
- Diabetes mellitus (resistência à insulina)
- Problemas gastrointestinais (obstipação, flatulência)
- Diminuição da capacidade funcional do fígado; lipidose hepática (gatos)
- Alteração do metabolismo dos lípidos e pancreatites
- Diminuição das capacidades reprodutoras e distócia (dificuldades no parto)
- Aumento do risco de desenvolvimento de tumores de mama
- Aumento do risco anestésico e complicações cirúrgicas
- Aumento dos problemas de pele (dermatite por Malassezia, dermatite das pregas de pele)
- Diminuição do sistema imunitário e consequente aumento da susceptibilidade a doenças
- Aumento dos problemas ortopédicos e neurológicos (artroses, osteoartrites, rotura dos ligamentos cruzados do joelho, hérnias discais, etc.)
-Diminuição da esperança média de vida

Maneio do peso

As rações de dieta formuladas especificamente para o maneio da obesidade têm demonstrado bons resultados na diminuição do peso corporal, ao mesmo tempo que mantém um equilíbrio entre todos os nutrientes básicos necessários, garantindo o normal funcionamento do organismo. Estão disponíveis dois tipos de dietas: as de redução de peso e as vocacionadas para a manutenção da condição corporal após um programa bem sucedido. A perda de peso deve ser sempre lenta, de forma a evitar recaídas e problemas de saúde. Um animal obeso (com 15-20 % de excesso de peso) deverá demorar cerca de 6 meses a atingir o peso ideal, não ultrapassando nunca uma redução de peso de 1-2 % por semana.
Os biscoitos poderão ser administrados apenas nos casos de recompensa por um bom comportamento e nos casos de higiene oral, nunca ultrapassando as quantidades recomendadas. Deverão ser usados biscoitos próprios com baixo teor de calorias. No entanto, deverão ter-se em conta as calorias incluídas nestes alimentos por forma a diminuir a quantidade de ração diária. Alternativamente poderá tentar recompensar um bom comportamento com carinhos ou ensaiar jogos estimulantes com o animal (esconder objectos, jogar às escondidas ou atirar bolas p. ex.).

Programa de redução de peso

1. Avaliar o peso do animal e definir um peso ideal.
2. Definir o tempo necessário para a diminuição do peso com base em tabelas próprias.
3. Calcular as necessidades energéticas do animal e definir a quantidade de ração diária tendo em conta a percentagem de massa corporal em excesso.
4. Definir os vários exercícios possíveis, por forma a aumentar a actividade do animal.
5. Se necessário, administrar medicamentos próprios que ajudam a diminuir o metabolismo e a absorção das gorduras a nível intestinal.
6. Realizar consultas de monitorização em vez por semana no primeiro mês e a cada 2 semanas durante o restante período (avaliar possíveis complicações, realizar o registo do peso e acertar a quantidade de ração diária).

Problemas frequentes

- O meu cão/gato recusa a ração de dieta: misture a ração habitual com a nova ração de dieta na proporção de 80:20 na primeira semana e aumente 10 % da ração de dieta por semana; adicione queijo fresco à ração nos primeiros dias, de forma a aumentar a sua palatibilidade.

- O meu cão está sempre a pedir mais comida: tente distrai-lo com outras actividades (passeios frequentes, jogos novos, sessões de fisioterapia mais frequentes, etc.).