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Lipidose Hepática Felina

Lipidose Hepática Felina

O que é a Lipidose Hepática?

É uma doença caracterizada pela acumulação excessiva de lípidos nos hepatócitos ( células do fígado), que por sua vez leva a disfunção hepatocelular e do trato biliar.

Em que espécie é mais frequente a sua ocorrência?

Em gatos é a doença hepática mais comum, sem predisposição racial e podendo ocorrer em qualquer idade, embora seja mais comum entre os 4 e 12 anos.

Qual o mecanismo que leva à ocorrência de Lipidose Hepática?

Os lípidos provenientes da dieta e das reservas de gordura corporal chegam aos hepatócitos na forma de ácidos gordos livres. A maioria destes são esterificados a triglicerídeos (TG´s). Uma vez produzidos, os TG’s ligam-se à apoproteína para serem exportados das células como lipoproteínas. Os TG´s podem acumular-se nos hepatócitos se o balanço entre a síntese e a sua utilização ou mobilização é negativo. Quando os TG´s intracelulares se acumulam nos hepatócitos, são armazenados nos vacúolos citoplasmáticos. Ocorre lipidose hepática quando esta acumulação é severa e interfere com a função hepatocelular normal.
A forma clássica de apresentação da Lipidose Hepática ocorre num gato de meia idade, obeso, com história recente de stress ou anorexia de duas semanas de duração. Durante a anorexia, há mobilização da gordura corporal, resultando num aumento de ácidos gordos que chegam ao fígado e são sintetizados em TG´s. Adicionalmente, a síntese proteica, incluindo a síntese de apoproteína necessária para transporte de TG´s dos hepatócitos está diminuída uma vez que faltam aminoácidos vindos da dieta. Assim, ao mesmo tempo que aumenta a síntese de TG´s no fígado, há também uma diminuição do transporte de gordura dos hepatócitos devido à diminuição da síntese de apoproteína. Ambos estes factores contribuem para a Lipidose Hepática.

Quais os factores de risco?

A obesidade e a anorexia são factores de risco primários.
A Lipidose Hepática pode ser classificada como idiopática (de causa desconhecida) ou secundária a outras doenças como IBD, pancretite, colangiohepatite, Diabetes Mellitus, Hipertiroidismo, doença renal e neoplasia.

Quais os sinais clínicos mais comuns?

Perda de peso dramática devido à anorexia, vómitos, letargia e diarreia, mucosas ictéricas ( amarelas), ptialismo e hepatomegália.

Como se diagnostica?

O diagnóstico presuntivo faz-se pela história clínica, exame físico, testes laboratoriais clínicos e imagiologia ( hepatomegália), ecografia abdominal ( fígado hiperecogénico em relação à gordura falciforme, hepatomegália, colestase). Alterações laboratoriais incluem anemia não regenerativa, leucograma de stress, hiperbilirrubinémia e bilirrubinuria, aumento de AST, ALT, AP e ácidos biliares séricos. Os valores de GGT estão geralmente normais. Ocasionalmente, hipoalbuminemia, défices de coagulação e hiperamoniemia podem ocorrer.
Uma citologia por aspiração com agulha fina ou uma biopsia e histopatologia apoiam o diagnóstico.

Qual o tratamento adequado?

A terapia nutricional é o tratamento mais eficaz para a lipidose hepática idiopática. A maioria dos gatos requer alimentação forçada (tubo de gastrotomia ou esofagostomia) . A dieta deve ser rica em proteína, com nutrientes e calorias apropriadas. Vitaminas e suplementos dietéticos têm sido usados no tratamento da lipidose hepática.

Existe prevenção?

A doença é mais comum em gatos obesos porque estes tendem a mobilizar a gordura mais rapidamente que os gatos magros. A melhor forma de prevenir a Lipidose hepática é manter o gato com uma boa condição corporal, exercício adequado e água à disposição.

Qual o prognóstico?

O prognóstico é bom se diagnosticado no início, se for feito tratamento imediato e se for descoberta e tratada a causa primária, se presente. Se houver pancreatite concorrente o prognóstico é reservado.