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Linfoma Canino

Linfoma Canino

O linfoma, ou linfossarcoma, é uma doença neoplásica dos linfócitos, um tipo de glóbulos brancos que têm origem nos gânglios linfáticos e na medula óssea. As células T cancerosas podem espalhar-se e atingir outros gânglios linfáticos e órgãos.
Existem vários tipos de linfócitos. Alguns são chamados de linfócitos B (células da Bursa de Fabricius) responsáveis pela produção de anticorpos e outros são denominados de linfócitos T (Timo) responsáveis pela sinalização da infecção. Um linfoma das células T tem um pior prognóstico e estão mais vezes associados a elevados níveis de cálcio no sangue. Actualmente existem testes que nos permitem diferenciar um linfoma das células B do das células T, mas é necessário recolher uma amostra de um gânglio linfático afectado, por cirurgia.


A origem exacta do linfoma canino é desconhecida. O que se sabe é que o linfoma pode afectar cães de todas as idades, mas é mais comum em cães com idades compreendidas entre os 5-9 anos. Esta patologia afecta machos e fêmeas na mesma proporção e é uma das neoplasias mais comuns dos cães. Algumas raças encontram-se mais predispostas, tais como, o Boxer, o Golden Retriever e o Scotish Terrier.


Um dos sinais mais comuns do linfoma é o aumento de tamanho dos gânglios linfáticos, que chega a ser, inicialmente, o único sinal perceptível. Outros sinais não específicos incluem a letargia, fraqueza, falta de apetite, perda de peso, diarreia, dificuldades respiratórias, dificuldades na deglutição, aumento da sede e do nº de micções. O fígado, o baço, os rins, os pulmões , o intestino, a medula óssea, o olho, o sistema nervoso central e a pele são alguns dos órgãos que podem ser afectados.

O diagnóstico inicial do linfoma é conseguido mediante citologia aspirativa de um gânglio, ou através de biópsia desse mesmo gânglio. A citologia aspirativa é um processo relativamente indolor em que uma agulha é espetada no gânglio com o objectivo de aspirar algumas células para observação ao microscópio. É um processo rápido e não requer sedação, ou anestesia. A biópsia consiste na extracção de fragmento de gânglio mediante acto cirúrgico e com anestesia prévia. Este teste é feito quando os resultados da citologia aspirativa são inconclusivos, ou quando se pretende distinguir entre um linfoma de células T ou B.


A classificação do estado de maturidade do linfoma é um processo recomendado para todos os pacientes após o diagnóstico ter sido alcançado, permitindo-nos saber se a doença está num estado muito adiantado. Os testes necessários incluem normalmente um hemograma, bioquímica sérica, urianálise, raio x abdominal e torácico, ou ecografia. A aspiração da medula óssea permite-nos saber se o linfoma se espalhou até ela. Este teste está indicado se se verificarem anormalidades no hemograma e em casos positivos significa que o linfoma atingiu um estado muito avançado.


Estadios do linfoma:
EstadioI – Linfoma confinado a um gânglio linfático.
EstadioII – Apenas os gânglios de uma zona do corpo estão afectados.
EstadioIII – Todos os linfonodos do organismo encontram-se afectados.
EstadioIV – O fígado, baço, ou mediastino estão afectados.
Estadio V - Afecção do sangue, medula óssea, pele, olho, ou sistema nervoso central afectados.

Uma classificação adicional em A (assintomático) e B (sintomático) pode também ser utilizada.


O fundamento da terapia para o linfoma consiste numa combinação de vários agentes quimioterapêuticos, de acordo com um protocolo predefinido. Existem vários protocolos que são constantemente actualizados. Os cães, de uma maneira geral, reagem melhor à quimioterapia, isto é, com menos efeitos secundários, do que as pessoas. Os cães parecem tolerar melhor a náusea e não desenvolvem o mesmo nível de ansiedade que as pessoas.


Não é recomendável que os cães recebam corticoterapia antes da administração da quimioterapia, uma vez que este procedimento pode levar ao surgimento de resistência ao protocolo quimioterapêutico, com menos hipóteses de remissão e períodos de remissão mais curtos. A prednisolona pode funcionar como agente quimioterapêutico com remissão dos sinais durante 3 meses, mas ao mesmo tempo leva à selecção de células cancerígenas resistentes a qualquer protocolo terapêutico futuro. Os cães que apresentam hipercalcémia, que estão sintomáticos (vómitos, diarreia, anorexia), tem um linfoma das células T, ou estão no estadio V da doença tem menor probabilidade de atingirem a remissão e se atingirem, será por períodos mais breves.


O objectivo do tratamento consiste em remissão dos sinais clínicos e não na cura completa. A remissão é definida como a ausência externa de sinais evidentes de linfoma quer ao exame físico, quer no hemograma. Sem tratamento, os cães sobrevivem em média 4 a 6 semanas; se tratados apenas com prednisolona, poderão sobreviver mais algumas semanas. Cães no estadio IIIA têm 80 % de hipóteses de atingirem a remissão, que durará em média 1 ano.


Os agentes quimioterapêuticos devem ser administrados sempre no mesmo dia da semana e os pacientes deverão ser hospitalizados nesse dia. Um exemplo comum consiste em deixar o animal entre as 7 e as 9 am no hospital e recolhe-los a partir das 15 h. Após o término do tratamento de indução semanal, o protocolo é adaptado para intervalos mais largos (protocolo de manutenção). O tratamento é continuado até remissão dos sinais ou até que se atinja 1 ano de tratamento.


Existe uma probabilidade de 20% dos animais evidenciarem efeitos secundários com o tratamento. Na maior parte das vezes consiste em vómitos e diarreias auto-limitantes, que não requerem hospitalização. Menos de 5% desenvolvem vómitos e diarreias severas e um pequeno risco de septicémia e morte.