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Hiperplasia Gengival no cão e no gato

Hiperplasia Gengival no cão e no gato

Definição, causa e mecanismo de acção

A hiperplasia gengival consiste num sobrecrescimento da gengiva caracterizado por aumento gradual na sua espessura, sobretudo ao nível do bordo gengival, e/ou pela presença de massas firmes e não dolorosas. Também conhecida por hiperplasia periodontal fibromatosa.
A causa é desconhecida, mas pensa-se que haja uma resposta exagerada das células epiteliais a uma estimulação antigénica crónica por parte dos componentes periodontais.
Esta situação é mais comum em raças grandes a gigantes, tendo sido frequentemente diagnosticada em Boxers de meia-idade e mais velhos, o que comprova a predisposição familiar/racial da patologia. Outras raças afectadas incluem o Dogue Alemão, o Collie, o Doberman Pinscher e o Dálmata.
Também estão descritos casos de hiperplasia gengival secundária ao uso de determinados fármacos como, por exemplo, a ciclosporina.

Diagnóstico

O diagnóstico faz-se essencialmente por exame físico a partir de um exame cuidado da cavidade oral, havendo forte suspeita caso se tratem de lesões generalizadas num Boxer ou noutra das raças predispostas ao aparecimento de hiperplasia gengival.
Os sinais clínicos mais comuns são o espessamento e aumento de tamanho da gengiva e bordo gengival, por vezes cobrindo completamente a superfície dos dentes. As lesões podem ser localizadas, mas geralmente o padrão é difuso. Pode haver halitose (mau hálito), salivação excessiva, disfagia (dificuldade em ingerir os alimentos) e sangramento nos casos mais severos.
Este sobrecrescimento vai resultar na formação de pseudobolsas – há um aumento da profundidade do sulco gengival devido à proliferação de tecido e não a uma menor aderência, que não sendo tratada pode progredir para doença periodontal, visto que estas bolsas podem reter restos de alimentos.
Nas lesões localizadas pode haver desenvolvimento de áreas hiperplásicas (tecido com desenvolvimento exuberante), provocadas pelos traumatismos repetidos da mastigação ou sob a forma de uma massa protuberante  no bordo gengival; nestes casos a biópsia é recomendada para descartar neoplasia.
De referir que só a avaliação histológica (biópsia) permite uma confirmação definitiva do diagnóstico.

Diagnósticos diferenciais:

Neoplasia oral: epúlides, etc (geralmente lesões não generalizadas; por vezes com envolvimento ósseo);
Papilomatose oral: os papilomas afectam a superfície da mucosa;
Opérculo: observado em animais jovens durante a fase de erupção dentária, em que não se dá uma perda completa do tecido gengival que cobre a superfície do novo dente.

Tratamento

Nos casos de hiperplasia gengival ligeira o tratamento raramente está indicado. Nos casos moderados a severos, em que as lesões interferem com a mastigação ou haja evidência de doença periodontal, os veterinários recomendam uma gengivoplastia. Este é um procedimento cirúrgico e como tal, terá que ser realizado sob anestesia geral, devendo ser previamente realizadas todas as análises pré-anestésicas que o veterinário entenda necessárias.
O objectivo da cirurgia é recuperar a espessura e contorno gengival normal. Para isto encontra-se o contorno gengival adequado e remove-se o excesso de tecido para que o sulco gengival mantenha uma pequena profundidade.
Caso o animal esteja a ser medicado com qualquer medicamento que possa predispor a esta doença, aconselha-se a paragem da terapêutica.

Conclusão

A hiperplasia gengival é um problema crónico e recorrente que frequentemente requer mais do que um tratamento.
No período pós-operatório é recomendada a lavagem diária da boca com um antisséptico e são indicadas dietas moles, para além da analgesia adequada.
O prognóstico é bom com cuidados regulares por parte do dono, dos quais são exemplo a escovagem diária dos dentes, o que irá minimizar os efeitos da placa bacteriana e sua acumulação.
Deverão ser efectuadas consultas de rotina em que o veterinário procede a um exame extensivo de toda a cavidade oral na procura de sinais de recorrência: aparecimento de zonas de espessura aumentadas, perda do contorno gengival ou aparecimento de formações nodulares ao nível do bordo da gengiva.