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Dermatofitose (Tinha)

Dermatofitose (Tinha)

Que tipo de infeção é esta?

Dermatofitose é o nome vulgar para uma infeção de pele causada por um grupo especial de fungos.
Os fungos alimentam-se de células mortas/queratinizadas da pele e pêlo causando lesões típicas circulares e avermelhadas, com um anel de descamação à periferia e com pele normal no centro da lesão.
Os fungos responsáveis por este processo são chamados de dermatófitos, que etimologicamente significa plantas que vivem na pele; no entanto o nome científico correcto para designar a tinha é dermatofitose.
O aspecto característico da lesão em anel é um fenómeno que ocorre sobretudo em humanos.
Nos animais as lesões mais observadas são de aspecto mais variável, podendo mimetizar qualquer outro tipo de lesão dérmica. Surgem frequentemente lesões secas, cinzentas e descamativas.


Será que o meu animal de estimação tem dermatofitose?

Os esporos deste tipo de fungos são extremamente resistentes no meio ambiente, e podem sobreviver durante anos! Para que haja infecção basta o contacto da pele com um só esporo.
Os animais afectados contaminam constantemente o ambiente através da queda de pêlo com esporos para o solo.
Alguns animais são portadores; isto significa que não revelam sinais clínicos da doença mas podem infectar outros animais facilmente.
Há diferentes espécies de fungos dermatófitos.
Diferentes espécies de fungos provêm de diferentes espécies animais ou mesmo do solo, o que significa que identificar a espécie de fungo dermatófita ajuda a determinar a fonte de infecção.

 

Este problema de pele é contagioso para as pessoas?

Sim, a dermatofitose é contagiosa para os humanos, contudo algumas pessoas têm maior risco que outras.
Pessoas com um sistema de defesa enfraquecido estão mais sujeitas a este tipo de infeção.
Isto significa que animais jovens e crianças, bem como pessoas e animais idosos, portadores do HIV, pessoas sujeitas a quimioterapia ou a realizar medicação após transplante ou transfusões, estão sob maior risco.
Geralmente, uma pessoa que ainda não tenha lesões típicas de dermatofitose à data em que esta doença tenha sido diagnosticada no seu animal, não virá a desenvolver a doença.


Como é que o veterinário pode ter a certeza que se trata de uma dermatofitose?

Nalguns casos é fácil ao veterinário perceber que está perante um caso de deramatofitose.
As lesões observadas nos animais raramente são as lesões típicas em forma de anel que se encontram nos humanos (é frequente determinados animais nem sequer apresentarem prurido), pelo que podem ser necessários alguns testes para confirmação de diagnóstico.
O veterinário pode precisar de colher alguns pêlos para observação ao microscópio, de forma a ver se os mesmos estão contaminados com esporos.

Contudo, uma vez que os esporos são por vezes difíceis de observar, alguns veterinários dispensam este teste.
Cultura fúngica – Neste teste alguns pêlos são colocados num meio de cultura específico que favorecem o crescimento de fungos, caso estes estejam presentes.
A vantagem deste método de diagnóstico consiste não só na confirmação de dermatofitose, como ainda nos permite saber qual a espécie de fungo envolvido.
A desvantagem consiste no facto do crescimento de fungos requerer um mínimo de 10 dias. Este é ainda o único teste que permite averiguar se um animal é portador da doença.

Biópsia – Algumas vezes as lesões observadas na pele são tão incaracterísticas que apenas uma biópsia de pele pode confirmar o diagnóstico. Nestas amostras são facilmente visíveis os esporos fúngicos.

Dependendo dos resultados dos testes preliminares, o veterinário pode optar por iniciar o tratamento imediatamente ou adiá-lo até estarem disponíveis os resultados de testes mais específicos.


Qual é o tratamento adequado?

O compromisso e persistência do dono são a chave para o sucesso, especialmente se tiver mais do que um animal.
Os animais afetados estão constantemente a espalhar esporos pelo ambiente doméstico, o que significa que a desinfecção da casa é fundamental para o tratamento do animal.


Medicação oral

Itraconazole (Intrafungolâ) – este medicamento é bastante eficaz no tratamento da dermatofitose. A náusea é um efeito secundário potencial.


Tratamento dirigido ao ambiente

O problema na desinfecção da casa consiste no facto de poucos produtos serem eficazes.
Lixívia diluída em água na proporção de 1:10 elimina 80% dos esporos numa única aplicação, devendo ser por isso utilizada em todas as superfícies.
A aspiração profunda e a limpeza a vapor das carpetes é importante na remoção física dos esporos (é importante descartar os sacos de aspirador já usados).
Para reduzir a contaminação ambiental, os gatos que eventualmente residam em casa deverão ser confinados a um só quarto até que os resultados da cultura fúngica sejam negativos.
A restante área da casa poderá ser desinfectada durante este período.
As culturas são realizadas mensalmente enquanto o tratamento estiver em curso.