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Dermatoses endócrinas caninas

Dermatoses endócrinas caninas

As patologias de origem em alterações endócrinas são relativamente comuns, sendo mais frequentes o hipotiroidismo e o hiperadrenocorticismo.
O primeiro sinal que chama a atenção para estas patologias é a presença de áreas de alopecia (perda de pêlo) normalmente bilaterais e simétricas, associando-se a ocorrência de pelagem seca e sem brilho e de difícil crescimento após a sua remoção.
Estas dermatoses normalmente são do tipo não pruriginosa (não provocam comichão) salvo em casos crónicos devido a quebra da barreira de proteção imunológica da pele que determina a pioderma secundária e seborreias frequentemente pruriginosas.


Hipotiroidismo Canino

A tiróide é a glândula responsável pela produção de T3 e T4 importantes para a manutenção da taxa metabólica normal nos sistemas orgânicos incluindo-se a pele.
O hipotiroidismo é considerado a alteração endócrina mais frequente do cão.
Os sintomas mais comuns associados ao hipotiroidismo envolvem a pele, sendo comum a alopécia simétrica ou assimétrica, localizada ou generalizada, normalmente evidenciadas nas áreas de atrito constante, atingindo 85% dos casos.
Também é comum a ocorrência de infeções bacterianas, lesões papulares e vesiculosas com crostas, principalmente na pele da cabeça e tórax.
É frequente o aparecimento da alopécia completa da cauda (cauda de rato) e pêlos que são removidos com facilidade mas que apresentam difícil crescimento.
Os pêlos remanescentes normalmente apresentam-se de cor mais clara, mais finos, quebradiços e de aspeto crespo e baço.
O mixedema ou mucinose cutânea é de ocorrência rara nos cães mas comum nos casos de hipotiroidismo, e deve-se ao acúmulo de ácido hialurônico na pele, pelo que estes animais apresentam uma face característica denominada comummente de “face trágica”.
A ocorrência de prurido é rara, mas torna-se comum quando ocorrem patologias de pele associadas com a diminuição da imunidade da pele tais como infeções bacterinas (piodermas profundos-furunculose ou superficiais-foliculite) ou doenças parasitárias.
A pele pode apresentar seborreia (caspa) seca ou oleosa e dermatite seborreica no início da doença, evoluindo para uma perda da elasticidade, espessamento, hiperpigmentação e feridas de difícil cicatrização.
O diagnóstico do hipotiroidismo é feito com base em dois critérios. Primeiro, através da sintomatologia clássica da diminuição da função da tiróide, que inclui entre outros sinais a letargia, sonolência, depressão, intolerância ao exercício, obesidade, vómito, anemia, infertilidade, etc.
Segundo, pela determinação do valor de hormona T4 circulante no sangue.
Também deve servir como apoio ao diagnóstico quando a incidência for em animal de meia idade (4 a 9 anos), de raça de médio a grande porte, sem predilecção, entretanto, para sexo.


Hiperadrenocorticismo Canino (SCC)

A hiperfunção adrenal é de ocorrência rara nos cães e é também conhecida como Síndrome de Cushing Canina (SCC) sendo caracterizada por excessiva produção de glucocorticóides, particularmente o cortisol, pela córtex da glândula adrenal.
Embora a faixa etária de ocorrência seja ampla, tem sido mais observada na idade média de 8 anos e o sexo feminino costuma ser mais acometido principalmente nas raças Poodles, Dachshunds e Boxers.
Os sinais de pele são os mais evidentes nos cães com hiperadrenocorticismo e em cerca de 65% a 90% dos casos é comum observar-se ocorrência de alopecia bilateral simétrica, hiperpigmentação, pele mais fina, seborreia seca e infeção da pele.
Entretanto, os sintomas gerais incluem aumento da ingestão de água (polidipsia), aumento do volume de urina (poliúria), distensão abdominal, ausência de cio, atrofia e fraqueza muscular e atrofia testicular.
O diagnóstico baseia-se principalmente na história e exame físico, e o diagnóstico definitivo é feito através de análises específicas.